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girl on film

by ana sofia santos

06
Ago25

Opinião | Jurassic World: Rebirth. Nostalgia com esteroides e ADN alterado

- Atenção: o texto que se segue pode conter spoilers! -

 

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Jurassic World: Rebirth, o mais recente capítulo da eterna saga dos dinossauros, chega com promessas de regresso às origens, nostalgia sonora e um elenco de luxo. Mas será que isso basta para justificar mais uma viagem ao Parque? A resposta, infelizmente, é menos entusiasmante do que se esperava.

Cinco anos após os acontecimentos de Dominion, a humanidade vive numa trégua instável com os dinossauros, agora confinados a zonas selvagens protegidas. A farmacêutica ParkerGenix vê nos dinossauros uma oportunidade de negócio e envia uma equipa liderada por Zora Bennett (Scarlett Johansson) a uma ilha remota no Pacífico para recolher ADN. Neste espaço remoto, não só descobrem monstros marinhos gigantes como se deparam com perigosos dinossauros mutantes criados em segredo — incluindo o novo superpredador Distortus Rex.

Gareth Edwards regressa à realização após The Creator (2023), mantendo a sua assinatura visual: mistura de CGI com efeitos práticos, cenários imponentes e tensão bem construída. Conhecido por Monsters, Godzilla (2014) e Rogue One, Edwards é visualmente competente, mas aqui vê-se refém de um argumento reciclado e previsível. O guião, assinado por David Koepp — veterano da saga original (Jurassic Park, 1993) — parece preso a fórmulas gastas, sem ousadia ou inovação narrativa.

 

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Apesar de reunir nomes de peso, o filme nem sempre consegue tirar partido do seu elenco:

  • Scarlett Johansson (Zora Bennett) interpreta a protagonista com a segurança habitual, mas a personagem sofre com falta de profundidade emocional.
  • Mahershala Ali (Duncan Kincaid), duas vezes vencedor do Óscar, surge num papel secundário como um soldado com passado traumático. A sua presença eleva algumas cenas, mas é pouco explorado.
  • Jonathan Bailey (Dr. Henry Loomis), o paleontólogo da equipa, destaca-se pela sensibilidade e inteligência que confere à personagem, evitando a banalidade.
  • Rupert Friend (Martin Krebs), representante corporativo da ParkerGenix, é um vilão previsível, mas eficaz, com algumas nuances morais.
  • Manuel Garcia-Rulfo, conhecido por The Lincoln Lawyer [a série], é talvez a surpresa mais agradável do elenco. Tem carisma e presença, mas é subaproveitado — um desperdício evidente.
  • Luna Blaise, Audrina Miranda e David Iacono interpretam Teresa, Isabella e Xavier — dois adolescentes e uma criança que formam o núcleo mais emocional e surpreendentemente eficaz da narrativa. Teresa (Blaise) assume um papel de liderança quando o pai, Reuben Delgado (Manuel Garcia-Rulfo), fica ferido, revelando uma força interior que contrasta com o caos à sua volta. Isabella (Miranda), a irmã mais nova, equilibra inocência com coragem, protagonizando momentos de tensão genuína, como o icónico confronto com o T-Rex durante a cena da jangada. Xavier (Iacono), o namorado de Teresa, começa como um elemento cómico e aparentemente inútil, mas acaba por se revelar essencial em momentos críticos — com várias falas improvisadas que lhe conferem autenticidade e carisma. A dinâmica entre estes três jovens e Garcia-Rulfo é bem construída, com química natural e conflitos realistas, oferecendo ao filme uma camada de humanidade que contrasta com os excessos genéticos da trama.

 

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Dinossauros mutantes? Não, obrigada. É precisamente aqui que o filme falha mais redondamente: a insistência em apresentar dinossauros geneticamente alterados, como o Distortus Rex e os Mutadon, começa a roçar o absurdo. A verdade é que - nesta saga - o público só precisa de dois vilões para sair satisfeito da sala de cinema: T-Rex e Velociraptores. São estas criaturas clássicas que continuam a dominar as cenas com mais tensão, emoção e adrenalina. Tudo o resto é… ruído!

Há que dar mérito ao foco nos dinossauros marítimos — sobretudo o Mosasaurus, que protagoniza algumas sequências intensas e visualmente deslumbrantes. Estas cenas são, sem dúvida, as mais bem conseguidas em termos de espetáculo e escala.

 

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Sempre que ouvimos os acordes do tema clássico de Jurassic Park, é impossível não sentir um arrepio. A banda sonora de Rebirth, composta por Alexandre Desplat, presta homenagem a John Williams com respeito e sensibilidade. É, talvez, o elemento mais emocional do filme — uma âncora nostálgica que continua a funcionar.

Jurassic World: Rebirth entretém — mas pouco mais. É uma repetição de fórmulas com algumas boas ideias visuais e um elenco competente, mas que não consegue escapar ao peso de um guião previsível. A aposta em dinossauros mutantes revela-se desnecessária e, por vezes, ridícula. Se os produtores soubessem que bastava o T-Rex e um bom raptor para nos deixar felizes, talvez tivéssemos aqui um filme melhor.

Apesar de momentos pontuais de tensão e espetáculo, o filme tropeça nos mesmos erros que marcaram os anteriores: exagero visual, vilões artificiais e personagens pouco desenvolvidas. Com menos mutações e mais respeito pelos predadores pré-históricos que nos fizeram amar esta saga, Rebirth poderia ter sido muito mais.

 

 

Imagens: Divulgação / IMDb

 

11
Dez18

Os protagonistas de 2018 para a The Hollywood Reporter

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Foram seis os eleitos para estrelar a edição anual da edição The Actor Roundtable da The Hollywood Reporter que destaca a excelência do cinema no ano que está prestes a terminar. Chadwick Boseman, Hugh Jackman, Mahershala Ali, Richard E. Grant, Timothee Chalamet e Viggo Mortensen foram fotografados por Sami Drasin e estiveram à conversa entre eles e com o jornalista Stephen Galloway

 

 

27
Ago18

True Detective | Teaser trailer para a terceira temporada

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Ontem, a HBO premiou os espectadores com a visualizacao das primeiras imagens da terceira temporada de True Detective.

O regresso está agendado para Janeiro de 2019 e o vídeo mostra flashes de Wayne Hays, a personagem de Mahershala Ali, um detective de Northwest Arkansas em três períodos de tempo diferentes. É na fase com mais idade que vimos Hays em “sofrimento”, talvez como efeito de um crime que investigou na zona de Ozarks quando era novo.

 

 

28
Fev17

Opinião ▪ Moonlight | Barry Jenkins. 2016



“At some point, you’ve got to decide for yourself who you’re gonna be. You can’t let nobody make that decision for you”. 

A sinopse é muito simples: é uma história intemporal de auto-descoberta e de ligações humanas. Moonlight narra a vida de um jovem desde a sua infância até à idade adulta enquanto se esforça para encontrar o seu lugar no mundo.


Adaptado da obra de Tarell Alvin McCraney, In the Moonlight Black Boys Look Blue, Moonlight é um conto de identidade e de descoberta de sexualidade do autor-realizador Barry Jenkins e é um dos melhores filmes do ano e uma das obras mais importantes de 2016. As 8 nomeações para os Oscars eram mais que merecidas e a vitória de três galardões dispensa justificações. Quero que saibam que o o meu filme favorito do ano passado e que achava que devia ter recebido o prémio para Melhor Filme é o Manchester by the Sea, no entanto, não fiquei de todo aborrecida ou desiludida com a Academia. Este ano, ao contrário do que tem vindo a acontecer, o prémio era bem entregue à maioria dos nomeados na categoria.

Moonlight está dividido em três partes. A primeira parte é intitulada Little e apresenta Alex R Hibbert a interpretar uma criança chamada Chiron, com a alcunha de "Little". A segunda parte tem como título Chiron e tem Ashton Sanders a encarnar a versão adolescente da mesma personagem. A terceira parte é chamada Black e cabe a Trevante Rhodes a interpretar a versão adulta da criança que conhecemos no início do filme e que passa a designar-se "Black". A forma como os três actores dão vida a Chrion é um dos pontos mais bem concebidos deste projecto de Barry Jenkins. Os seus maneirismos são usados habilmente pelos três jovens actores de modo a que realmente pareçam ser a mesma pessoa.









A questão da homossexualidade, a problemática de Chiron ser um jovem negro homossexual está sempre presente no argumento mas não há uma abordagem obsessiva, há uma apresentação natural e justa, sem "panhinhos quentes". Há também abordagens à emigração, à toxicodependência e narcotráfico, à prostituição e ao bulling

Chiron, ainda criança forja um relacionamento com um traficante local, Juan (Mahershala Ali), que se torna uma espécie de figura paterna que compensa a ausência de um pai que nunca teve e com a sua afectuosa parceira Teresa (Janelle Monae). No entanto esta relação de amizade não é suficiente para salvar Chiron dos espancamentos na escola, que recebe por ser diferente, nem de lidar com os problemas que tem em casa ao habitar no mesmo espaço com a sua mãe Paula, uma instável viciada em drogas que é interpretada brilhantemente por Naomie Harris.

É uma história muito específica e contada por Jenkins de uma forma muito bonita. O filme é realizado de uma forma poética e meditativa, no entanto, a maior força de Moonlight é que nunca se mostra como um filme que se desliga de uma experiência particular. O realizador evoca ao espectador uma empatia natural pelas lutas da criança/jovem/adulto que se envolvem com temas universais, com os quais todos nós nos relacionamos. Falo de solidão, de dificuldades de relacionamentos ou procura de conforto num velho relacionamento, mesmo que essa relação esteja envolta em más memórias. Para Chiron, essa pessoa é Kevin, um amigo próximo que também é interpretado por três actores diferentes (Jaden Piner, Jharrel Jerome e André Holland).






Ao longo das três partes do filme, cada actor destaca-se de forma notável mas o filme atinge o seu ponto alto na última parte que é quase exclusivamente dedicada a uma noite entre Chiron e Kevin, já adultos e depois de terem seguido os seus próprios caminhos e destinos. 

O único ponto negativo que ouso apontar neste Moonlight é o facto do extraordinário Mahershala Ali aparecer tão pouco tempo no filme. O pouco é de facto significativo porque a personagem que interpreta passa a ser uma presença omnipresente no filme. Little dá origem a Chiron e a este segue-se Black - três nomes para a mesma pessoa que passa a seguir a vida e a filosofia de vida de Juan. É que Mahershala Ali como Juan é um traficante de drogas que tinha um coração (e boca) de ouro.  

Moonlight é uma história de auto-descoberta que aborda ligações humanas e que é contada através de um romance maravilhosamente elaborado, emocional e provocador. Um filme ferozmente realizado, com desempenhos tocantes, diálogos poderosos e a cinematografia de James Laxton irrepreensível. Jenkins permite que esta história exista de uma forma que se sente orgânica, nunca chamando a atenção para si mesma, mas sempre apelando a uma profunda compreensão e empatia por parte do espectador. É um filme totalmente despretensioso e obrigatório. 


"Let your head rest in my hand. Relax. I got you. I promise. I won't let you go. Hey man. I got you. There you go. Ten Seconds. Right there. You in the middle of the world."
27
Fev17

O elenco de Moonlight | Campanha Underwear Calvin Klein'17



Mahershala Ali, Trevante Rhodes, Alex Hibbert e Ashton Sanders são os protagonistas da nova campanha underwear da Calvin Klein 2017. Os responsáveis pelas fotografias são de Willy Vanderperre com direcção criativa de Raf Simons. 

Pieter Mulier, outro dos Directores Criativos da CK justifica esta escolha: “Since the beginning, Calvin Klein’s underwear imagery has always made big statements about masculinity; the performances of these actors in Moonlight affected us deeply and made big statements about masculinity in a different way. Somehow we wanted to bring the two together."












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ana sofia santos: agirlonfilm@sapo.pt

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