Opinião | "Running Point", os bastidores do basquetebol com humor e estilo

A Netflix apostou numa fórmula vencedora com Running Point, uma série que alia ritmo acelerado, humor leve e bastidores do desporto profissional. Com episódios curtos — entre 26 e 33 minutos — a produção conquista pela sua energia contagiante e pela capacidade de equilibrar irreverência com autenticidade.
A narrativa centra-se em Isla Gordon (Kate Hudson), que assume inesperadamente a liderança de uma equipa masculina de basquetebol depois de o irmão ser internado numa clínica de reabilitação. Hudson revela-se uma escolha acertada, entregando uma protagonista carismática, com um timing cómico apurado e uma presença que sustenta o tom descontraído da série. O núcleo familiar é reforçado por Drew Tarver e Scott MacArthur, que interpretam os irmãos Sandy e Ness Gordon, respetivamente, e ajudam a construir uma dinâmica simultaneamente absurda e afetuosa.


O elenco principal inclui ainda Brenda Song (Ali Lee), Fabrizio Guido (Jackie Moreno), Chet Hanks (Travis Bugg) e Toby Sandeman (Marcus Winfield), todos com desempenhos sólidos que contribuem para a leveza e fluidez da narrativa. O elenco secundário — com destaque para Jay Ellis (Jay Brown), Keyla Monterroso Mejia (Ana Moreno), Dane DiLiegro (Badrag Knauss), Uche Agada (Dyson Gibbs) e Roberto Sanchez (Stephen Ramirez) — acrescenta diversidade e humor, enquanto as participações especiais de Justin Theroux (Cam Gordon), Max Greenfield (Lev Levenson) e Scott Evans (Charlie) funcionam como momentos de celebração do universo desportivo.
Entre os cameos mais inesperados da temporada, destaca-se Macaulay Culkin, que aparece no episódio 9 como um fã exaltado durante um jogo decisivo dos Waves. A sua personagem, creditada como “Angry Fan”, protesta contra a interrupção do jogo causada por uma declaração de amor pública, exigindo que Billie Eilish cante o hino nacional. O momento, hilariante e inesperado, foi totalmente espontâneo e surgiu enquanto Culkin visitava o set — acabando por ser integrado como uma participação improvisada.
Criada por Elaine Ko, Mindy Kaling, Ike Barinholtz e David Stassen (também showrunner), a série conta com uma equipa de produção intimamente ligada ao mundo real do basquetebol: Jeanie Buss, presidente dos LA Lakers, Linda Rambis, Kate Hudson, Howard Klein e Michael Weaver são produtores executivos, com Akshara Sekar, Jordan Rambis e Erin Owens na produção. A fotografia de Marco Fargnoli e a edição de Mat Greenleaf e Diana Fishman conferem à série um ritmo visual vibrante, que acompanha a energia narrativa.
A banda sonora, composta por Joseph Stephens, é moderna e pulsante, reforçando o tom irreverente dos episódios. Já o guarda-roupa mistura luxo e estilo urbano, refletindo com precisão o ambiente do desporto profissional contemporâneo.


E para os fãs que já maratonaram a primeira temporada, há boas notícias: Running Point foi oficialmente renovada para uma segunda temporada pela Netflix em março de 2025, apenas algumas semanas após a estreia. A criadora Mindy Kaling celebrou o anúncio com entusiasmo, agradecendo à audiência pela receção calorosa e destacando o papel fundamental de Kate Hudson e dos produtores executivos Jeanie Buss e Linda Rambis.
Sem reinventar o género, Running Point sabe exatamente o que pretende oferecer: entretenimento leve, personagens cativantes e uma estética cuidada. A sua força reside na consistência do tom, na química entre os atores e na capacidade de transformar os bastidores do basquetebol num palco para comédia inteligente e acessível. Para quem sentia falta do tom descontraído e irreverente de séries como Ballers e Entourage, esta é uma sucessora à altura — com identidade própria e uma energia que conquista desde o primeiro episódio.
Imagens: Netflix / IMDb
ana sofia santos: agirlonfilm@sapo.pt


