Opinião ▪ Columbus | Kogonada. 2017

Sabem aqueles filmes que nos deixam sem palavras? Adoraria dizer que este é um desses casos mas não é, porque só me apetece falar sobre ele.
Columbus é um filme discreto e reservado como a arquitectura da cidade homónima situada em Indiana, EUA. Jin (John Cho) é um homem que está prestes a perder o seu pai e Casey (Haley Lu Richardson) é uma jovem que lida com uma mãe problemática. Por circunstâncias inesperadas, a vida une-os e no tempo que passam juntos, Jin e Casey vêem o calor e a sinceridade um no outro, mas também percebem o quão diferentes. Opostos sobretudo na na forma como lidam com os relacionamentos fracturados com os seus pais.
Muito deste impacto emocional, é curiosamente, trazido pela arquitectura. Criando uma tradição e história para a arquitectura de Columbus, o filme faz com que os edifícios ganhem vida. A cidade e os seus edifícios tornam-se personagens por si próprios, já que em cada encontro entre Casey e Jin, ela explica a história de um edifício, e nesse sentido, esta abordagem torna-se semelhante ao desenvolvimento das personagens. À medida que vemos e interpretamos a intenção de cada edifício, desenvolvemos uma conexão com as estruturas, puramente através do entendimento e da emoção que a jovem evoca. Em última análise, isso fala sobre a capacidade que o filme tem em mostrar o modo como a arte tem impacto no público. Usando o amor de Casey pela arquitectura como exemplo, Kogonada é capaz de comunicar como a arte pode criar uma resposta emocional autêntica.










O filme estreia de Kogonada é um trabalho verdadeiramente poético, mostra como a arte nos pode afectar emocionalmente. Não é um simplesmente um filme, é uma obra de arte - honesta e natural, com performances tão reais e humanas que quase parece não existir câmaras entre eles e o espectador. Contudo, ao mesmo tempo, é editado de uma forma artística única.
Columbus é uma espécie de documento sobre relações e experiências humanas complexas. Além disso, cada aspecto deste filme é lindo - a cinematografia, a edição, o uso de luz natural, os cenários. Observamos cores limpas e suaves que são contrastadas com cores primárias extremamente brilhantes e, às vezes, ousadas. Cada detalhe é intencional e pensado esteticamente.
A forma como foi filmado permite observar cada centímetro de beleza. A cinematografia de Columbus é uma master-class em enquadramento. A fotografia é eximia, as interpretações são naturais e discretas, a abordagem é descomplicada e orientada pelo design. É um filme raro e adorável, subtil e genuíno.
Título nacional: Columbus
Data de estreia (Portugal): 21.06.2018
Trailer:
ana sofia santos: agirlonfilm@sapo.pt


